ORIXÁ OKO

ImagemDivindade da agricultura, ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Yoruba, pouco conhecido no Brasil. Na época em que os escravos chegaram, não deram muita importância a este Orìxá, considerando-o como da agricultura, em seu lugar, Òfún, e dos grãos, Obaluaiyê.

Em sua representação, traz um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, além de uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois ambos vestem o branco. Seu Òpásórò (cajado), no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.
Seu nome vem do yoruba, significa: Orixá da Palavra. As abelhas são suas mensageiras. É da agricultura junto com Ogum, e portanto, ligado às colheitas, principalmente de inhame.
É representado por uma estátua de madeira provida de um imenso falo. Seus símbolos são: cajado de madeira, uma flauta, uma chibata de couro, uma faca com fileira de búzios. Na África usam uma barra de ferro como símbolo.
Tem o poder de curar a malária, à qual estão expostos aqueles que lidam com agricultura. É árbitro de conflitos, especialmente entre mulheres, e não raro, juiz das costumeiras disputas entre os orixás.
Tem um título: Eni duru, que significa aquele que é erigido, personagem em pé, referência a seus atributos fálicos.
Na época da colheita do inhame, ninguém comia o inhame novo sem antes fazer uma festa para Okô. As sacerdotisas do templo do orixá se entregavam aos sacerdotes sexualmente, e todo homem que encontrava uma mulher podia ter relação sexual naquele dia. Na ocasião, uma bandeja de madeira contendo côco, cana de açúcar, milho, inhame, todos crus, como oferenda. Nas festas na África, cozinha-se todo tipo de vegetais produzidos pela terra e são colocados na rua para que todos se servissem à vontade.
Sacrificam galinha de angola macho, tudo com mel, pois não se usa dendê para esse Orixá. Come cabritos brancos, novos de chifres virados, ou galos brancos com esporão grande, além de pombos brancos.
As comidas devem ser brancas como: acaçá de Oxalá, inhame cozido em fatias com mel, canjica branca também com mel.
OLOJÉ IKÚ IKÉ OBARAINAN – CRÉDITOS

Oxumarê

 

Òsùmàrè na África É a cobra-arco-íris em nagô, é a mobilidade, a atividade, uma de suas funções é a de dirigir as forças que dirigem o movimento. Ele é o senhor de tudo que é alongado. O cordão umbilical que está sob o seu controle, é enterrado, geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.

Ele representa também a riqueza e a fortuna, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás. Em alguns pontos se confunde com o Vodun Dan da região dos Mahi.

É o símbolo da continuidade e da permanência, algumas vezes, é representado por uma serpente que morde a própria cauda. Oxumarê é um orixá completamente masculino, porém algumas pessoas acreditam que ele seja macho e fêmea, porém o orixá feminino que se iguala a Oxumarê é Ewá sua irmã gêmea que tem dominios parecidos com o dele.</ref> Enrola-se em volta da terra para impedí-la de se desagregar. Rege o princípio da multiplicidade da vida, transcurso de múltiplos e variados destinos.

De múltiplas funções, diz-se que é um servidor de Xangô, que seria encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do arco-íris.

É o segundo filho de Nanã, irmão de Osanyin, Ewá e Obaluayê, que são vinculados ao mistério da morte e do renascimento. Seus filhos usam colares de búzios entrelaçados formando as escamas de uma serpente que tem o nome de Brajá, usam também o Lagdigbá como Nanã e Omolu.

Oxumarê no Brasil

No Brasil, as pessoas dedicadas a Oxumarê usam colares (fio-de-contas) de missangas ou contas de vidro amarelas e verdes; a terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seus iniciados usam Brajá – longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de serpente. Quando dançam levam nas mãos pequenas serpentes de metal, apontam o dedo indicador para o céu e para a terra, num movimento alternado. A Suas oferendas são feitas de patosfeijãomilho e camarões cozidos no azeite de dendê

Na Bahia, Oxumarê é sincretizado com São Bartolomeu e festejado no dia 24 de agosto.

Certa lenda conta que ele era, outrora, um (Babalawo) adivinho, “filho de proprietário-da-estola-de-cores-brilhantes”. Em outra lenda o mesmo tema aparece: “Este mesmo Babalawo Oxumarê vivia explorado por Olofin-Odudúa, o rei de Ifé, seu principal cliente”. Oxumarê consultava-lhe a sorte de quatro em quatro dias.

Sua nação é o Jeje, onde é considerado como Dan, e tido como rei do povos Djedje (jeje) é uma palavra de origem yorubá que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seuexército.

Na nação Jeje, sua cor é o amarelo e preto de miçangas rajadas. Já no Ketu, suas cores são o verde e amarelo intercaladas. Porém essas cores definem apenas o fio-de-contas, pois todas as cores do arco-íris lhe pertencem.

Arquétipo

Seus filhos, assim como conta a lenda de Oxumarê, em sua maioria no início passam por muitas dificuldades, quase miseráveis, porém mais tarde, dando a grande volta em seu caminho, se tornando ricos, poderosos, e muitas vezes orgulhosos. Porém, nunca se negam a ajudar quando alguém realmente precisa deles. E não raro, é ver um filho de Oxumarê se desfazer de algo seu, em favor dos necessitados, com a maior facilidade, contrapondo seu estado de orgulho e ostentaçao, a exibir sua riqueza. Nessa fase estão no arco-íris, a fase mais doce e sincera que possuem.

São pessoas de temperamento fácil de se lidar estando calmas, porém, se tornam terríveis quando com raiva, representando nesse estado a Serpente, que vem trazendo o lado negativo de Oxumarê, o seu lado mais perigoso, que é a falsidade e a perversidade.

Tudo muda em suas vidas: Os amigos, os romances, as cidades que moram. Gostam de mudanças e quando a fazem, se tornam radicais.

 

Onira

Conta-se uma lenda (itan) que existia nas terras de Irá, uma linda moça chamada Onira (Senhora de Irá), ela sempre comandava seu povo com sabedoria. Mas, ela tinha um grande problema: adorava lutar e se sentia bem em matar seus inimigos. Onira era descontrolada quando tinha em punho sua adaga de guerra. Certo dia enlouqueceu de vez, chegou a um vilarejo e matou todos que alí encontrou. Os sábios da cidade de Irá resolveram procurar Oxalá para que ele na condição de Rei, mandasse que Onira parasse de matar.

Onira recebeu o recado q Oxalá queria vê-la e foi até Ilê Ifé (palácio de Oxalá). Chegando lá, Oxalá assustou-se, pois as roupas de Onira eram vermelhas, de tanto sangue de suas vítimas. Ela ajoelhou-se e perguntou o que o grande Rei queria. Oxalá mandou que trouxessem uma grande quantidade de Efun (seu pó branco sagrado). Pegou seu pó e jogou sobre Onira. Na mesma hora suas vestes de cor vermelha tornaram-se rosa, por causa da mistura do pó branco com o sangue. Então, Oxalá ordenou que Onira não mataria mais ninguém, e que ela jamais vestiria vermelho em publico, e que rosa seria sua cor, e como ela era uma moça tão quente, que fosse morar nas águas junto com Oxum.

E lhe disse:

Onira minha filha, és uma moça tão bela, tão doce, por que matas?

Sinto-me bem quando tiro a vida de alguém, mais sei que isso não é certo.

Foi então que Oxalá teve uma ideia.

Já que você gosta de lidar com a vida e com a morte, você terá junto com Oyá o domínio sobre os Eguns. Não tirarás mais a vida de ninguém, apenas irá conduzir os que já se foram.

Está certo Oxalá, seu desejo será realizado mas não tire de mim minha adaga.

Oxalá disse: Pode deixar, mais agora vá morar na cachoeira com Oxum.

Onira obedeceu a Oxalá, foi morar na cachoeira. Chegando lá Oxum ria e debochava dela, mais resolveu ser sua amiga. Porém, Onira muito mal humorada, não queria papo. Até que um dia Onira adormeceu sobre uma pedra, olhando Oxum banhar-se e as águas da cachoeira subiram e Onira estava morrendo afogada, Oxum vendo o que estava acontecendo, mergulhou e foi salva-la, chegando lá Onira estava quase morta e Oxum resolveu fazer um feitiço e na mesma hora Onira reviveu e transformou-se em uma espécie de lava que correu rio a fora. Onira transformou-se em um rio de fogo. Oxum pensou que Onira havia morrido, chorou por horas, sem saber o que diria a Oxalá, já que ele a incumbiu de tomar conta da moça atrevida. Foi então que surgiu uma borboleta linda, de cor salmão com tons alaranjados, que voava ao redor de Oxum. Ela tentou pegar a borboleta que voou para dentro da floresta, Oxum seguiu a borboleta que parou em frente a uma árvore e tomou a forma da linda Onira. Oxum não acreditava no que via, e Onira lhe disse:

Por que choravas minha amiga, estou aqui viva, e graças a você!

Graças a mim porquê Onira? Eu não fiz nada.

Na hora que eu estava morrendo você fez um feitiço e dividiu comigo todo seu encanto, agora sou uma NINFA(mulher encantada), assim como você ,tenho poderes de transformação. Posso ser um RIO de FOGO nos meus momentos de ira, posso ser um BÚFALO quando eu quiser ficar sozinha, e me transformar na mais bela BORBOLETA quando estiver feliz. E Onira foi até Oxalá lhe contar o que havia acontecido, ele ficou feliz mais sabia que toda esta mudança jamais acalmaria Onira, e que por dentro ela ainda seria aquela guerreira incansável. Mandou então que ela fosse morar com Oyá e aprender a dominar os Eguns.

Depois, Onira mudou-se e foi viver com Oxosse e como ele foi criada por caçadores, sabia caçar como ninguém. Onira morou com quase todos os Orixás, aprendendo tudo que eles sabiam fazer.

Quando o culto aos Orixás veio para o Brasil, confundiram Onira com Oyá e por isso então ela passou a ser cultuada no Panteão das Oyás, tornando-se uma qualidade de Oyá. Mas sabemos que Onira é um orixá assim como todos os outros. Ela gosta das cores branco, dourado, rosa, salmão, assim como a determinação de Oxalá. Muitos acreditam que Onira por morar nas águas é um orixá calmo, mas este pequeno Itan nos mostra que Onira é um Orixá muito “quente”, uma moça guerreira e determinada.

Suas filhas são faladeiras, escandalosas, briguentas, metidas, arrogantes, divertidas, mal-humoradas, tem toda a doçura de Oxum e são atrevidas como Oyá.

ÓBÁTÀLÁ – O Rei do pano Branco

 

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ORISALÁ (OBATALÁ/OSALÁ/ÒRÌSÀLÁ/OBÀTÁLÁ)

Òrìsànlá ou Obàtálá na África
“Òrìsànlá ou Obàtálá, “O Grande Òrìsa” ou” Rei do Pano Branco” , ocupa uma posição única e inconteste do mais importante òrìsa e o mais elevado dos deuses iorubás. Foi o primeiro a ser criado por Olodumaré, o deus supremo. Òrìsànlá-Obàtálá é também chamado Òrìsà ou Obà-Ìgbò, o Òrìsa ou o Rei dos Igbos. Tinham um caráter bastante obstinado e independente o que lhe causava inúmeros problemas.
Òrìsànlá foi encarregado por Olodumaré de criar o mundo com o poder de sugerir (àbà) e o de realizar (àsé), razão pela qual é saudado com o título de Aláàbáláàsé. Para cumprir sua missão, antes da partida, Olodumaré entregou-lhe o “ saco da criação” . O poder que lhe fora confiado não o dispensava, entretanto, de submeter-se a certas regras e de respeitar diversas obrigações como os outros òrìsas.
Uma história de Ifa nos conta como, em razão de seu caráter altivo, ele se recusou a fazer alguns sacrifícios e oferendas a Exu, antes de iniciar sua viagem para criar o mundo.
Òrìsànlá pôs-se a caminho apoiado num grande cajado de estanho, seu opá o sorò ou pasoro, o cajado para fazer cerimônias. No momento de ultrapassar a porta do Além, encontrou Exu, que entre as suas múltiplas obrigações, tinha a de fiscalizar as comunicações entre os dois mundos. Exu, descontente com a recusa do Grande Òrìsa em fazer as oferendas prescritas, vingou-me fazendo-o sentir uma sede intensa. Òrìsànlá, para matar sua sede, não teve outro recurso senão o de furar, com o seu pasoro, a casca do tronco de um dendezeiro. Um líquido refrescante dele escorreu: era o vinho de palma. Ele bebeu-o ávida e abundantemente. Ficou bêbado, não sabia, mas onde estava e caiu adormecido. Veio então Olofin-Odùduà, criado por Olodumaré depois de Òrìsànlá é o maior rival deste. Vendo o Grande Òrìsa adormecido, roubou-lhe “o saco da criação”, dirigiu-se à presença de Olodumaré para mostrar-lhe seu achado e lhe contar em que estado se encontrava Òrìsànlá. Olodumaré exclamou: “Se ele esta neste estado, vá você, Odùduà! Vá criar o mundo!” Odùduà saiu assim do Além e se encontrou diante de uma extensão ilimitada de água. Deixou cair à substância marrom contida no “ saco da criação” . Era terra. Formou-se então um montículo que ultrapassou a superfície das águas.
Aí, ele colocou uma galinha cujos pés tinham cinco garros. Esta começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície das águas. Onde ciscava, cobria as águas, e a terra ia se alargando cada vez mais, o que o ioruba se diz ilè nfé, expressão que deu origem ao nome da cidade de ilê Ifé. Odùduà aí se estabeleceu, seguido pelos outros òrìsas, e tornou-se assim o rei da terra.
Quando Oxalá acordou não mais encontrou ao seu lado o “saco da criação”. Despeitado, voltou a Olodumaré. Este, com castigo pela sua embriaguez, proibiram ao Grande Òrìsa, assim como aos outros de sua família, os òrìsas funfun, ou “òrìsas brancos”, beber vinho de palma e mesmo de usar azeite-de-dendê. Confiou-lhe, entretanto, como consolo, a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos, aos quais ele, Olodumaré, insuflaria a vida.
Por essa razão, Osalá é também chamado de Alámérere, o “proprietário da boa argila”. Pôs-se a modelar o corpo dos homens, mas não levava muito a sério a proibição de beber vinho de palma e, nos dias em que se excedia, os homens saíam de suas mãos contrafeitos, deformados, capengas, corcundas. alguns, retirados do forno antes da hora, saíam mal cozidos e suas cores tornavam-se tristemente pálidas: eram albinos. Todas as pessoas que entravam nessas tristes categorias são-lhe consagradas e tornam-se adoradoras de Orixalá.
Mais tarde, quando Òrìsànlá e Odùduà reencontraram-se, eles discutiram e se bateram com furor. A lembrança dessas discórdias é conservada nas histórias de Ifá, das quais algumas podem ser encontradas em outra obra. As relações tempestuosas entre divindades podem ser consideradas como transposição ao domínio religioso de fatos históricos antigos. A rivalidade entre os deuses dessas lendas seria a fabulação de fatos mais ou menos reais, concernentes à fundação da cidade de Ifé, tinha como o “ berço da civilização ioruba e do resto do mundo” .Obàtálá teria sido o rei dos igbos, uma população instalada perto do lugar que se tornou mais tarde a cidade de Ifé. “A referência a esse fato não se perdeu nas tradições orais no Brasil, onde Orisalá e freqüentemente mencionado nos cantos como Òrìsa Igbo ou Babá Igbo, “ou òrìsa” ou “ o rei dos igbos” . Durante seu reinado, ele foi vencido por Odùduà, que encabeçada um exército, fazendo-se acompanhar da dezesseis personagens, cujos nomes variam segundo os autores. Estes são conhecidos pelo nome de awón agbàgbà, “ os antigos” . Esses acontecimentos históricos corresponderiam à parte do mito onde Orixalá foi enviado para criar o mundo (enquanto, na realidade, ele tornou-se o rei dos igbos) e foi no mito que Odùduà tornou-se o rei do mundo, por ter roubado a Orisalá o “ saco da criação” (enquanto, na realidade, ele destronou Òrìsànlá-Obà-Ìgbò, usurpando-lhe o reino).
Odùduà teria vindo do leste, no momento das correntes migratórias causadas por uma invasão berbere no Egito. Esse fato provocou deslocamentos de populações inteiras, expulsando-se progressivamente, umas às outras, em direção ao oeste, para terminar em Borgu, também chamada região dos baribas.
Segundo uns, Odùduà teria vindo de uma longínqua região do Egito ou mesmo de Meca e, segundo outros, de um lugar perto de Ifé, chamado Oké-ara, onde os invasores teriam habitado durante várias gerações.
Não foi sem resistência que Òrìsànlá-Ìgbò perdeu seu trono. Ele reagiu com energia e chegou mesmo a expulsar Oduduwà de seu palácio, onde já se encontrava instalado. Foi ajudado por seus partidários, Orolúéré e Obawinni, mas foi uma vitória de curta duração, pois, por sua vez, foi expulso por Obameri, partidário de Odùduà, e, assim, Òrìsànlá teve que se refugiar em Ideta-Oko. Obameri instalou-se na estrada que ligava esse lugar e Ifé para impedir, durante muito tempo, a volta de Òrìsànlá a esse lugar. Tendo este perdido o seu poder político, conservou funções religiosas e voltou mais tarde para instalar-se em seu templo em Ideta-Ile. A coroa de Òrìsànlá-Obà-Ìgbò, tomada por Odùduà, teria sido conservada até hoje no palácio do Oòni, rei de Ifé e descendente de Odùduà. Essa coroa, chamada até, é elemento essencial na cerimônia de entronização de um novo Oòni. Os sacerdotes de Òrìsànlá desempenham um papel importante nessas ocasiões. Eles participam de certos ritos, durante os quais eles próprios colocam a coroa na cabeça do novo soberano de Ifé. Este também, antes da sua coroação, deveria dirigir-se ao templo de Òrìsànlá. Durante as festas anuais, celebradas em Ifé para Òrìsànlá, os sacerdotes desse deus fazem alusão à perda da coroa de Obà-Ìgbò, lembrando seu antigo poder sobre o país antes da chegada de Odùduà e da fundação de Ifé. Além disso. Oòni deve enviar todos os anos um seu representante a Ideta-Oko, onde residiu Òrìsànlá. O representante deve levar oferendas e receber instruções ou a benção de Òrìsànlá.
Os deuses da família de Òrìsànlá-Obàtálá, o “Òrìsa” ou o “Rei do Pano Branco”, deveriam ser sem dúvida, os únicos a serem chamados òrìsas, sendo os outros deuses chamados por seus próprios nomes ou, então, sob a denominação mãos geral de ebora para os deuses masculinos. O termo “Imole”, empregado por Epega, abrangeria o conjunto dos deuses iorubás.
Essa família de òrìsas funfun, os òrìsas brancos, é daqueles que utilizam o _fun (giz branco) para enfeitar o corpo. São-lhe feitas oferendas de alimentos brancos, como pasta de inhame, milho, caracóis e limo da costa. O vinho e o azeite, provenientes do dendê, e o sal são as principais interdições. As pessoas que lhe são consagradas devem sempre se vestir de branco, usar colares da mesma cor e pulseiras de estanho, chumbo ou marfim.
Os òrìsas funfun seriam em número de cento e cinqüenta e quatro, dos quais citamos alguns nomes:
Òrìsá Olufon ajígúnà koari, “aquele que grita quando acorda”;
Òrìsá Ògiyán Ewúléèjìgbò, “Senhor de Ejigbô”;
Òrìsá Obaníjìta;
Òrìsá Àkirè ou Ìkirè, um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo-mudo aquele que o negligencia;
Òrìsá Eteko Oba Dugbe, outro guerreiro muito ligado a Òrìsànlá;
Òrìsá Alásé ou Olúorogbo, que salvou o mundo fazendo chover num período de seca
Òrìsá Olójo;
Òrìsá Àrówú;
Òrìsá Oníkì;
Òrìsá Onírinjà;
Òrìsá Ajagémó, para o qual, durante sua festa anual em Édé, dança-se e representa-se com mímicas um combate entre ele e Olunwi, no qual este último sai vencedor e aprisiona seu adversário. Mas tarde Òrìsá Ajagémó é libertado e volta triunfante para seu templo Ulli Beier sugere que nesta representação poderia haver uma espécie de reconstituição da conquista do reino Igbo por Odùduà, da derrota de Orixalá no plano temporal e de sua vitória final no plano espiritual.
Òrìsá Jayé em Jayé;
Òrìsá Ròwu em Owu;
Òrìsá Olobà em Obá;
Òrìsá Olúófin em Iwófin;
Òrìsá em Oko;
Òrìsá Eguin em Owú, etc.
William Bascom observa que o ritual da adoração de todos esses òrìsas funfun é tão semelhante que, em alguns casos, é difícil saber se trata de divindades distintas ou simplesmente de nomes e manifestações diferentes de Òrìsànlá.
Òrìsànlá-Óbàtálá é casado com Yemowo. Suas imagens são colocadas um ao lado da outra e coberta por traços e pontos desenhados com _fun, no ilésìn, local de adoração desse casal no templo de Ideta- Ilê, no bairro de Itapa, em Ilê-Ifé.
Dizem que Yemowo foi à única mulher de Òrìsànlá-Óbàtálá. Um caso excepcional de monogamia entre os òrìsas e eboras, muito propensos, como vimos nos capítulos precedentes, a ter aventuras amorosas múltiplas e a renovar facilmente seus votos matrimoniais.

( Por Obarainan Olojé )

ODU OSE MEJI – O PODER DA UNIÃO DAS MULHERES

Oxum 2006

Todos os Imortais do Òrun estavam reunidos no dia em que foram trancados em uma batalha contra a Vila das Mulheres.
Foi uma batalha em que os Imortais sabiam que nunca poderiam ganhar.
Òba Òrun (Chefe do céu) convidou os Òrìsá para fazer uma viagem do Ikolè Òrun (Reino dos Ancestrais) para o Ikolè Aye (Terra) em um esforço para acabar com a guerra.
Sàngo (Espirito do relâmpago), Ògun (Espírito do Ferro), Omolú (Espírito das Doenças Infecciosas) e Ebora Egún (todos os espíritos ancestrais guerreiros que morreram), concordaram em unir suas forças na batalha contra a Aldeia das Mulheres.
Lutaram com coragem e convicção, mas encontraram uma derrota amarga.
Yemoja (Mãe dos Peixes), Òya (Espirito do Vento) e Ìyáàmi (Espirito das mães) concordaram em juntar forças na batalha contra a Vila das Mulheres.
Elas lutaram com coragem e convicção, mas encontraram uma derrota amarga.
Quando todos retornavam de suas batalhas contra a Vila das Mulheres, recusaram-se a travar mais combates.
Naquela época, foi Òsun (Espírito da sensualidade), que disse que iria acabar com a batalha contra a Vila das Mulheres.
Òsun colocou uma cabaça de água na cabeça e dançou do Ikole Òrun (Reino dos Ancestrais) ao Ikolè Ayè (Terra).
Quando se aproximou da Vila das mulheres, Òsun continuou dançando e cantando ao ritmo de um tambor.
Quando ela chegou ao centro da aldeia, as mulheres se juntaram a Òsun.
Elas dançaram e cantaram ao ritmo de seu tambor.
As mulheres da aldeia seguiram para o santuário de Òsun, onde cantaram e dançaram para ela neste dia.

Alguns contos de Òsun são populares no Ocidente e tendem a caracterizá-la como “superficial” e “narcisista”.
Nesta história, Òsun é apresentada como uma poderosa guerreira que é treinada para resolver um conflito em que derrotou todas as forças espirituais do Reino do Invisível.
Esta história deixa claro que nem todas as formas de proteção que envolve a guerra ou o comportamento é tradicionalmente identificado como “agressivo”.
Esta história também envolve dois aspectos do poder feminino que se repetem em toda a literatura Ifá.
É incomum no mito ocidental encontrar histórias sobre um grupo de mulheres que têm a força coletiva para derrotar todas as forças espirituais da Natureza.
Na cultura iorubá tradicional, nas sociedades secretas, as mulheres estão centradas em torno dos mistérios.
Esta tradição tem sido denegrida pelos escritores ocidentais, que tendem a rejeitar as sociedades, tratando-as como formas de “bruxaria”.
Na verdade, as sociedades secretas femininas são parte integrante da vida política e da religião iorubá tradicional.
São as mulheres que colocam o ade (coroa) na cabeça do Oba (Rei).
Este poder é dado às mulheres porque o Ade contém o àse (poder espiritual) da proteção que só vem através do poder feminino.
Quando esse poder é invocado como um meio de proteção, é extremamente eficaz e extremamente volátil.
São feitos rituais para ativar este poder e uma vez que foram acionados, fazem parte do awo ou Mistérios de Òsun.
É por isso que Òsun têm altos cargos dentro das sociedades secretas femininas.
Esta história é uma apresentação metafórica de um dos aspecto do Poder Espiritual da Mulher que permanece como um tabu para os não iniciados.
( oloje iku ike obarain )

Acacá e seus fundamentos

 

 

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Acaçá (àkàsà) é de uma pasta de milho branco ralado ou moído, envolvido, ainda quente, em folhas de bananeiras. Seu preparo e forma de utilização nos rituais e oferenda envolvem preceitos e regulamentos bem rígidos, que nunca podem deixar de ser observados.

Todos os orixás, de Exu a Oxalá, recebem acaçá. Todas as cerimônias, do ebó mais simples as sacrifícios de animais, levam acaçá. Em rituais de iniciação, de passagens fúnebres e tudo o mais que ocorra em uma casa de culto africano só acontece com a presença do acaçá. A vida e a morte no candomblé se processam a partir desta oferenda fundamental, sem a qual nenhum homem seria poupado dos dissabores e percalços do destino.

Só existe uma oferenda capaz de restituir o axé e desenvolver a paz e a prosperidade na Terra, ela é justamente o acaçá. Mas o que faz uma comida aparentemente tão simples a maior das oferendas aos orixás?

Primeiramente, é preciso saber que a pasta branca à base de farinha de milho (que fica alguns dias de molho e depois passada pelo pilão ou moinho) chama-se na verdade eco (èko). Depois de coxear, uma porção da pasta ainda quente, é envolvida em um pedaço de folha de bananeira para enrijecer (na África é utilizada outra folha, chamada èpàpo), tornando-se, agora sim, um acaçá. Percebe-se a fundamental importância da folha de bananeira, uma vez que o eco só passa a ser acaçá quando envolvido em uma folha verde que lhe atribui existência individualizada.

O Acaçá é a única oferenda que restituí a redistribui o axé.

É importante insistir que o que faz do acaçá um corpo único, eminente representação de um ser, é a folha, seu poderoso invólucro verde, que lhe confere individualidade e força vital diante do poderoso orun, os orixás e do grande Deus Oludumaré.

Somente a água é tão importante quanto o acaçá, pois não existem substitutos para nenhum dos dois, que são, a exemplo do obi, elementos indispensáveis em qualquer ritual. Ambos configuram-se como símbolo da vida, e é justamente para afastar a morte do caminho das pessoas, para que o sacrifício não seja o homem, são oferecidos, os acaçás.

O acaçá remete ao maior significado que a vida pode ter: a própria vida. E por ser o grande elemento apaziguador, que arranca a morte, a doença, a pobreza e outras mazelas do seio da vida, tornou-se a comida e predileção de todos os orixás.

 “Fundamento é o segredo compartilhado, o detalhe que faz a diferença e a prova de que ninguém pode enganar o orixá. O acaçá deve permanecer fechado, imaculado até o momento de ser entregue ao orixá. Só então é retirado da folha. É como se o sagrado tivesse de ficar oculto até a hora da oferenda, prova de que o segredo é quase sempre um elemento consagrado. E o segredo do acaçá é enrolar na folha de bananeira, é o que mantém um terreiro de candomblé de pé. Não existe acaçá que não seja enrolado na folha de bananeira.

 “Não há candomblé sem acaçá, nem acaçá sem folha. A religião dos orixás não admite modificações na essência, e esta comida é essencial, portanto, inviolável. Primeiro vem o acaçá antes dele só a vida. Logo, a folha de bananeira guarda uma vida. Deixar a massa do acaçá exposto é o mesmo que deixar a vida vulnerável. Eis o grande fundamento.”

Aqui o grande fundamento é que o sangue dos animais jamais pode jorrar sobre os ibás sem a presença do elemento pacificador, pois, o acaçá simboliza a paz.

Quando ofertado e retirado do seu invólucro verde, tornando-se a comida de Oxalá que agrada a todos os orixás, a primeira oferenda que deve ser colocada diretamente no assentamento, juntamente com o obi e a água, antes de qualquer sacrifício.

Exú

 

exu

Exu o Infinito

É um Orixá indispensável dentro do culto, sem ele não existe Orixá, pois é ele que serve de mensageiro entre os Deuses e os seres humanos. Exú é o guardião das casas, dos templos das cidades e das pessoas. Toda vez, que for fazer algo a algum Orixá deve ser feito primeiro oferendas à Exú. Ele pode ser considerado o mais humano dos Orixás, nem mau, nem bom. Exú foi criado da mesma matéria divina da qual os seres humanos foram criados. Como Orixá, diz-se que ele veio ao mundo com um porrete chamado Ogò, que teria a propriedade de transporta-lo, ele representa também toda a fertilidade que é consagrada a ele. Mensageiro dos homens aos orixás. Elemento dinâmico, caminha entre o céu ( orun ) e a terra ( aiyê ), sempre levando mensagens dos filhos aos orixás. Exú é único, e como único tem o poder de transformar tudo a sua volta. Exú está a frente da evolução do mundo, participando de tudo ao seu redor. Todo ser humano possui seu Exú individual, como tem seu Orixá. Exú é responsável pela comunicação, pela evolução, pois está associado a atividade sexual, que assegura a continuidade da espécie humana. Como é ligado a evolução, também é ligado ao destino das pessoas, e com isso pode circular livremente entre todos os elementos da terra. Ele também representa o feminino e o masculino. Exú, pôr ser o senhor dos caminhos, pela responsabilidade que ele tem, é o primeiro a ser cultuado em qualquer ritual. Somente ele tem o poder de abrir ou fechar os caminhos, conforme for tratado. Tanto pode trazer coisas boas, como má, pelo fato de estar sempre no caminho. A presença de Exú é necessária, pois somente ele transporta as oferendas e somente ele pode fazer aceita-las ou não. Se não agraciado no início de qualquer ritual, pode haver um desequilibro, o que faria que ele fechasse os caminhos e liberasse forças negativas para castigar quem não o tratou direito, pois ele pode punir ou proteger. Mas bem tratado, ele somente semeia o bem, fertilidade, saúde, harmonia. Seu local consagrado para adoração é a encruzilhada (orita), aonde todos os caminhos se cruzam, para poder observar e a partir daí, controlar todos os caminhos. A rosa dos ventos o representa pois ela representa todas as direções do mundo. Diz-se que Exú nasceu com uma lamina sobre a cabeça. Isso por sinal, é dito em uma de suas saudações;
“Sonsó óbè kó lórì erù” ( A lâmina é afiada, ele não tem cabeça para carregar fardo)
Exú é considerado a terceira cabaça da existência, muito embora ele seja considerado como o primeiro Orixá a pisar na Terra, Oxalá é a primeira cabaça da existência e Oduduá é a segunda cabaça.
Èsù é um Òrìsà de grande importancia entres os Yorùbá. Por ser muito corajoso e esperto, é considerado maior do que os outros Òrìsà, e nunca é esquecido por seus cultuadores que, a fim de aplacar sua ira, fazem-lhe as oferendas de alimentos sempre em primeiro lugar. Pode ser maldoso a qualquer momento, sendo por isso chamado de Buruku (qualificação maligna).
Os Yorùbá acreditam que ele sempre carrega um objeto chamado Agongo Ogo, com o qual realiza suas maldades. A imagem de Èsù é feita de um conjunto de pedras (Yangi). Fazem-lhe sacrifícios para mantê-lo em frente de casa, mas sua imagem jamais é mantida no interior do lar, sob pena de amaldiçoar a família.
É comum oferecer a Èsù, entre outros, bodes (Òbúko), azeite-de-dendê (Epò Púpà), galos (Àkùko), caracóis (Ìgbín), acaçá e Obí. Sobre sua imagem (Ère) colocam-se azeite-de-dendê (Epò Púpà) e sangue de animal ( Èjè), simbolizando seu banho por essas substâncias. Èsù é inimigo de alguns Òrìsà. A fim de incitá-lo à maldade contra alguém, coloca-se sobre sua imagem (Ère) um óleo denominado adí e um bilhete contendo o nome da pessoa contra quem se pratica o feitiço. Pessoas pedem também fecundidade a esse Òrìsà. Conseguindo-a, dão a seus filhos nomes que incluem o de Èsù, tais como Èsùtosin (É bom cultuar Èsù), Èsùbìyí (Nascido de Èsù) etc. Èsù possui também outros nomes, como Elégbára, Elégbáa, Leégbá.
As cidades onde se cultua Èsù são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta e Ekiti. Há cem anos atrás costumava-se sacrificar seres humanos em homenagem a Èsù, pratica hoje abandonada.

Reza para ÈSÙ
Este ADURA é para pedir proteção a ÈSÙ e abrir nossos caminhos. Este ÀDÚRÀ é tão simples e lógico que é bom memorizá-la e fazer dela nossa oração diária, bastando para isso rezá-la mastigando pimenta da costa 9 (nove) se for homem e 7 (sete) se for mulher. Faça esta oração e depois cuspa para frente a pimenta mastigada na boca.

ÈSÙ ONI BODE ODE ORUN OSETURA ENI OMO IYA ENI O MO BABA TI ADI TOJU BI OMO ELEGBARA IWO LA PE LONI WA JE WA LONI YI BI OMO TI NJE IYA RE WARA NITORI ROGBODIYAN ILE AYE PO JOJO OGUN NI WA, OGUN LEHIN ILE AYE OGUN OJOJUMO OGUN ATI YE TO MU OLOMO KI O MA MO OMO RE TO MU ORE DI OTA ARAWON TO MU ENI DU IPO OMO LAKEJI TO JEKI A FE OJU MO NKAN ENI A WA BE BE FUN ABO RE ÈSÙ LALU WA GBO ORO ATI AROYE WA SO WA BABA NJADE LO SO WA TI A PA PADA WA LE WA KI OGUN AYE MA LE RI WA GBE SE ÈSÙ OLO NA ONA TI ESU BA SI ENIKAN KI DI WA SI ONA FUN WA ENITI ÈSÙ BA SI ONARE LO SEGUN AYE SE WANI OLUSEGUN KI OTA MA LE RI NA GBE SE ENI ONA RE BA SI PEREGEDE LONI ALAFIA BABA ORO ÈSÙ ODARA DA ABO RE BO WA LONI ÀSÉ ÀSÉ ÀSÉ

ÈSÙ guardião do Céu OSETURA Aquele que não conhece sua mãe Aquele que não conhece seu pai Mas que recebeu todo cuidado de ADI O dinâmico É você que estamos chamando Venha nos atender hoje Assim que o filho atende sua mãe As intrigas deste mundo estão demais A guerra está na frente, a guerra está atrás de nós O mundo é uma guerra diária A guerra de sobrevivência Que fez os pais desconhecerem seus filhos Que fez os amigos virarem inimigos Que fez pessoas tomarem o lugar dos outros Que fez com que colocassem olho grande em nossas coisas Nós estamos pedindo a sua proteção ÈSÙ, o ouvidor Venha ouvir nossas palavras e reivindicações Proteja-nos ao sairmos de casa Proteja-nos ao voltarmos para casa Que a guerra deste mundo não consiga nos vencer ÈSÙ o dono dos caminhos O caminho que ÈSÙ abre ninguém é capaz de fechar Venha abrir nossos caminhos Aquele a quem ÈSÙ abrir os caminhos será o vencedor na guerra da vida Faça de nós vencedores Que o inimigo não consiga nos vencer Aquele que tem seus caminhos abertos Terá saúde, o pai de todas as riquezas ÈSÙ o imprevisto venha a nos proteger hoje com todas as forças ÀSÉ.

Rosa dos Ventos, representa os domínios de Exú.
As direções do mundo

OS DEZESSEIS TÍTULOS DE ÈSÚ
Èsú Yangí – O Senhor da Pedra Vermelha “Laterita”
Èsú Agba – O Grande Senhor dos Ancestrais
Èsú Igba Keta – O Senhor da Terceira Cabaça
Èsú Okoto – O Senhor do Caracol
Èsú Oba Baba Èsú – O Rei e Pai de todos os Èsú
Èsú Odara – O Senhor Dos Bons Pedidos, e da Felicidade
Èsú Ojisé – O Mensageiro dos Orisa
Èsú Eleru – O Senhor das Obrigações e Rituais
Èsú Enu Gbarijo – O Senhor da Boca Coletiva
Èsú Elegbara – O Senhor do Poder Mágico
Èsú Bara – O Senhor do Corpo
Èsú L’Onan – O Senhor dos Caminhos
Èsú Ol’Obé – O Senhor da Faca
Èsú El’Ebo – O Senhor dos Ebos e Oferendas
Èsú Alaafia – O Senhor da Satisfação Pessoal
Èsú Oduso – O Vigia dos Odus

Aspectos Gerais

DIA: Segunda-feira.
DATA: Todos os dias são de Exu.
METAL: Não tem, sua matéria é a terra em seu estado de pureza.
CORES: Preto (ou seja, a fusão das cores primárias) e vermelho.
COMIDAS: Farofa de azeite-de-dendê, ekó (acaçá), carne mal passada.
SÍMBOLOS: Ogó de forma fálica, falo ereto.
ELEMENTOS: Terra e fogo.
REGIÃO DA ÁFRICA: Exu é universal.
PEDRAS: Rubi e Granada.
FOLHAS: Folha de fogo, coração-de-negro,aroeira vermelha, figueira brava, bredo, urtiga.
ODU QUE REGE: Okaran e Owarín.
DOMÍNIOS: Sexo, magia, união, poder e transformação.
SAUDAÇÃO: Laroié!

A saudação de Exú, Laroiê pode ser traduzida como Pessoa muito falante. Então ao dizermos Laroiê Exú estamos dizendo Exú o falante.

Adurá
Eke a pá elekee
Odale a pá Odale
Oun ti a ba se nisalé ilé
Oju Olodumare nii too
Difa fun Amookun-se-ole
To ni oba aye ko ri oun
Bi oba aye ko ri o nko
Oju Olodumare nwo o
Tradução

Mentira matará o mentiroso
Traição matará o traidor
Tudo o que você faz em um lugar escondido
Todo poderoso Olodumare está observando
Estas sãos as declarações de Ifá para
Ele-quem-usa-roupa-da-escuridão-para-roubar
E ele diz que ninguém toma conhecimento
Se os reis mundialmente não o vissem
Todo poderoso Olodumare está olhando para você

Oriki Esu

Èsù òta òrìsà.
Exú, o inimigo dos orixás.
Osétùrá ni oruko bàbá mò ó.
Osétùrá é o nome pelo qual você é chamado por seu pai.
Alágogo Ìjà ni orúko ìyá npè é,
Alágogo Ìjà é o nome pelo qual você é chamado por sua mãe.
Èsù Òdàrà, omokùnrin Ìdólófin,
Exú Òdàrà, o homem forte de ìdólófin,
O lé sónsó sí orí esè elésè
Exú, que senta no pé dos outros.
Kò je, kò jé kí eni nje gbé mì,
Que não come e não permite a quem está comendo que engula o alimento.
A kìì lówó láì mú ti Èsù kúrò,
Quem tem dinheiro, reserva para Exú a sua parte,
A kìì lóyò láì mú ti Èsù kúrò,
Quem tem felicidade, reserva para Exú a sua parte.
Asòntún se òsì láì ní ítijú,
Exú, que joga nos dois times sem constrangimento.
Èsù àpáta sómo olómo lénu,
Exú, que faz uma pessoa falar coisas que não deseja.
O fi okúta dípò iyò.
Exú, que usa pedra em vez de sal.
Lóògemo òrun, a nla kálù,
Exú, o indulgente filho de Deus, cuja grandeza se manifesta em toda parte.
Pàápa-wàrá, a túká máse sà,
Exú, apressado, inesperado, que quebra em fragmentos que não se poderá juntar novamente,
Èsù máse mí, omo elòmíràn ni o se.
Exú, não me manipule, manipule outra pessoa.

Oríkì fún Èsù

Èsù òta Òrìsà.
Osétùrá ni oruko bàbá mò ó.
Alágogo Ìjà ni orúko ìyá npè é,
Èsù Òdàrà, omokùnrin Ìdólófin,
O lé sónsó sí orí esè elésè
Kò je, kò jé kí eni nje gbé mì,
A kìì lówó láì mú ti Èsù kúrò,
A kìì lóyò láì mú ti Èsù kúrò,
Asòntún se òsì láì ní ítijú,
Èsù àpáta sómo olómo lénu,
O fi okúta dípò iyò.
Lóògemo òrun, a nla kálù,
Pàápa-wàrá, a túká máse sà,
Èsù máse mí, omo elòmíràn ni o se.

Oríkì para Exú

Èsù, o inimigo dos orixás.
Osétùrá é o nome pelo qual você é chamado por seu pai.
Alágogo Ìjà é o nome pelo qual você é chamado por sua mãe.
Èsù Òdàrà, o homem forte de ìdólófin,
Èsù, que senta no pé dos outros.
Que não come e não permite a quem está comendo que engula o alimento.
Quem tem dinheiro, reserva para Èsù a sua parte,
Quem tem felicidade, reserva para a Èsù sua parte.
Èsù, que joga nos dois times sem constrangimento.
Èsù, que faz uma pessoa falar coisas que não deseja.
Èsù, que usa pedra em vez de sal.
Èsù, o indulgente filho de Deus, cuja grandeza se manifesta em toda parte.
Èsù, apressado, inesperado, que quebra em fragmentos que não
se poderá juntar novamente,
Èsù, não me manipule, manipule outra pessoa.

Oríkì fún Èsù

Èsù pèlé o, okanamaho, ayanrabata awo he oja oyinsese,
seguri alabaja, olofin apekayu, amonise gun mapo
Nko o
Èsù, ba nse ki imo
Èsù, keru o ba onimimi
Èsù, fun mi ofo ase mo pele Òrìsà
Èsù, alayiki a juba
Àse

Oríkì para Exú

Elogiado é o espírito do mensageiro divino
Mensageiro Divino, eu chamo a você por seus nomes de elogio
Mensageiro Divino guia minha cabeça para minha rota com destino
Mensageiro Divino, eu honro a sabedoria infinita
Mensageiro Divino, ache lugar onde submergir meus sofrimentos
Mensageiro Divino, dê força para minhas palavras de forma que evoque as forças da natureza fortemente
Mensageiro Divino, nós pagamos nossos cumprimentos dançando em círculo
Axé

ISURE ÒRÌSÀ ÈSÙ

IBA ÈSÙ LA ALU

ÈSÙ, ÒGÁ ONIILU

ATÓBÁJAÍYE, ELESO ÒGÚN

OTÍLÍ LÓÒGÚN,

ALÁGADA ÉYÉ,

OROKO-NI-OJO-EBO-LE,

ÈSÙ TÁBIRÍGBONGBON,

ABÓNIJÀWÁ-KUMO,

ÈSÙ, OLAFE, ASENI-BÁNI DÁRÒ,

ÈSÙ, IWO LO SE BABALAWO,

OJÓ MÉTÀDÍNLÓGÚN LÓ GBÉ ÓDÒ OYA,

ÈSÙ, MA SE MI, OMO ÉLÈMIRÀN NI O SE,

ÈSÙ, MA SE MI LU ENÌA, MA SE ENIA LUMI,

ÈSÙ, KI NKAN MA SE OMO MI,

ÈSÙ, KI NKAN MA SE AWON ARA ILE MI,

MA JEKI A RI ÌJÀ RE,

ÌWO LO SE OBA TÌ WON TI YO LÓYE,

ÌWO LO SE IYAWO, TI O FI KO OKO RE SILE,

ÈSÙ MA SE MI, OMO ÉLÒMÍRÀN NI O SE.

ÌWO LO SE ENIA TO FI BINU SOKU,

ÌWO LO SE ENIA TO DI KO SÓDÒ,

ÈSÙ MA SE MI, OMO ÉLÒMÍRÀN NI O SE.

ÌBÙKÚN PUPO NI EMI FE LODO RE.

ÈSÙ, ÌWO NI ILERA,

ABO, IGBEGA, IRE, ÒRÒ BEM LÓWO RE,

JÒWÓ KI O WA FUN MI NI NKAN WONYI.

ÈSÙ ELEGBARA, GBO MI KÌÁKÌA.

ÈSÙ MA SE MI, OMO ÉLÒMÍRÀN NI KI O SE.

ASE TI ELEDUNMARE

ELEDUNMARE ASE.

Èsù eu te saúdo.

Èsú homem forte na cidade, pessoa suficiente para ficar no lado em toda a vida.

Pessoa que tem frutas medicinais.

Você que monta cavalo de banheiro para entrar no quarto, você que tem medicina forte.

Você é uma pessoa que vai embora quando o sacrifício ficou estragado.

Você que acha um bastão para aquele que briga.

Èsù, o apitador que dá danos na gente, ainda simpatiza conosco.

Èsù, você quem provocou Babaláwo e fez ele ficar na casa de Oya por dezessete dias.

Èsù, não me faça mal no filho do outro.

Èsù, não me provoca contra qualquer pessoa e não provoca as pessoas contra mim.

Èsù, para nada acontecer para os meus filhos.

Èsù, para nada acontecer para minha família.

Não deixa ver a sua raiva, você quem provocou o rei para sair do trono.

Você quem provocou a esposa a deixar seu marido.

Èsù não faça mal, faça mal no filho do outro.

Eu quero prosperidade de você, Èsù, você que é o dono de saúde, proteção,

Promoção, bondade e prosperidade, por favor, me dê tudo isto.

Èsù Elegbara (Senhor do poder), me ouve depressa, Èsù, não me faça mal, faz mal nos filhos dos outros.

Axé do Senhor Supremo.

Benção do Senhor Supremo.
oloje iku ike obarainan ( créditos )

 

 

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